Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Asgardia, o projeto da nação espacial

Desde outubro, começaram a circular na internet rumores de uma nova iniciativa científica: o projeto de uma nação espacial. Não, eu não quis dizer “estação espacial”, trata-se de uma NAÇÃO mesmo. Este novo país se chama Asgardia, uma alusão a Asgard, morada dos deuses da mitologia nórdica. Segundo os idealizadores do projeto, Asgardia será uma nação democrática com o propósito de “buscar a paz” no espaço e “servir a humanidade”, terá sua própria bandeira, hino, governo, entre outras coisas. Existe inclusive um site lançado para recolher inscrições de pessoas interessadas em se tornar cidadão asgardiano. A intenção é de que 150 milhões de pessoas possam morar e trabalhar na “Estação-país” que ficará localizado na orbita baixa da terra ou um pouco além. Um dos líderes e fundadores da ação é o empresário e cientista russo Igor Ashurbeyli. Recentemente Ashurbeyli deu a seguinte declaração ao site Space.com:
"Asgardia será um reflexo da Terra no espaço, mas sem fronteiras, limites e restrições religiosas. Nós preferimos dialogar com pessoas e empresas, não Estados".

Outro proeminente líder do projeto é Ram Jakhu, diretor do Instituto de Lei Aérea e Espacial da Universidade McGill (Montreal, no Canadá). Jakhu afirmou que... Com cidadãos, um governo e uma nave desabitada para chamar de território, a futura nação já terá três de quatro elementos da ONU para ser considerada uma nação. Faltaria apenas o reconhecimento dos outros países membros da organização. “O reconhecimento dos países não será problema”, acredita Jakhu. O projeto também conta com a participação de Joseph Pelton, diretor emérito do Instituto de Pesquisa Espacial e Comunicação Avançada da Universidade George, Washington. Este cientista também acrescenta a possibilidade até de defesa da Terra contra asteroides usando canhões a laser.

A intenção dos fundadores é lançar o primeiro satélite artificial em nome da iniciativa entre 2017 e 2018, com recursos de um país emergente, sem tradição na corrida espacial. Apesar de ambicioso, o projeto tem grandes desafios pela frente, especialmente os obstáculos referentes a lei espacial internacional. Se o projeto de uma nação espacial realmente sair do papel, muitos pontos do Tratado do Espaço Exterior (Outer Space Treaty, em inglês), teriam que ser repensados ou reformulados. Por exemplo: Esse documento, datado dos anos 1960, afirma que a responsabilidade pelos objetos enviados ao espaço é do país que os enviou, mas Asgardia seria responsável por seu próprio lançamento. Apesar disso, Ashurbeyli afirma que a primeira “nação espacial” vai pavimentar o caminho para a vida humana fora da Terra. “Estamos lançando as fundações para fazer com que isso seja possível em um futuro distante”, diz ele.

Teorias da conspiração

No entanto, a simbologia usada no site de Asgardia  chamou atenção de alguns teóricos da conspiração. Um usuário do Youtube chamado Dahboo777, postou um vídeo em seu canal chamando a atenção sobre alguns elementos que fazem parte do emblema de Asgardia, no qual se distingue claramente o “olho de hórus”, que representaria, segundo o homem, um vínculo do projeto com antigas sociedades secretas (como os Iluminatti). O símbolo cabalístico da “árvore da vida” também estaria escondido no emblema.

Falando francamente...

Sinceramente, apesar de não duvidar da capacidade tecnológica e da determinação humana, tenho minhas dúvidas se este suposto projeto é realmente sério. Poderia muito bem ser uma pesquisa para saber quantas pessoas almejam algo parecido e até que ponto se empenhariam por esse tipo de empreitada (ou quantos idiotas existem no mundo para acreditar nisso). 

No entanto, o projeto pode ser real, e pode envolver não apenas um grupo de cientistas altamente capacitados, mas também uma rica elite mundial havida por dominar o mundo. Veja bem, a ideia de usar canhões de laser para destruir asteroides que ameaçam a Terra parece boa, mas esses lasers podem muito bem serem usados contra nós aqui em baixo! 

Não me passou despercebido, o “olho de hórus” no emblema asgardiano, nem o fato desta futura nação ser ateia (É isso o que Ashurbeyli quis dizer com “livre de restrições religiosas”). Também não me passou despercebida a referência a morada dos deuses da mitologia nórdica... Será que os fundadores deste projeto estão tentando se colocar na posição de “deuses”, substituindo as religiões atuais por uma religião mundial? A princípio, essa proposta até parece legal e cheia de boas intenções, mas basta um olhar mais atento para percebermos que é a velha história da torre de Babel se repetindo: Um grupo de homens soberbos, tentando atingir a “morada dos deuses” para serem invulneráveis. Não sei até onde vai essa história, mas se os idealizadores estiverem certos, novidades surgirão em 2017 ou 2018. É aguardar para ver.

Mais uma coisa... Na verdade, acho a ideia de uma cidade nas imediações da Terra fantástica, mas não fiz inscrição para ser cidadão de Asgardia. Minha intenção é morar em outra cidade celestial que está chegando... Ela se chama Nova Jerusalém!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Livro: Sangue na areia (resenha)

Confesso que, apesar de gostar muito de escatologia, relutei alguns meses antes de pegar esse livro para ler por pura desconfiança do autor... Benny Hinn. O tele-evangelista israelense, radicado nos Estados Unidos, famoso pela divulgação de algumas práticas um tanto “exóticas” no meio evangélico. Mas, finalmente meu interesse pelo tema venceu o preconceito e iniciei a leitura de “Sangue na areia”. Posso dizer que me surpreendi positivamente! Não tem nenhuma heresia, nem erro teológico grave nessa obra e isso é tranquilizante. 

Mesmo não sendo um estudo complexo sobre o fim dos tempos, a linguagem simplificada e objetiva da obra ajuda bastante na compreensão do leitor menos familiarizado com assuntos ligados ao Oriente Médio e profecias bíblicas. Na verdade, o livro aborda muito mais as questões históricas que explicam as raízes do conflito árabe-israelense do que interpretações de profecias futuras (apesar de estas aparecerem também).

Benny Hinn nasceu na cidade de Jafa, em Israel, poucos anos após a criação do moderno Estado judeu (fundado em 1948); posteriormente essa localidade foi engolida pela expansão urbana de Tel-aviv e mudou o nome para Yafo. Hinn não é judeu, mas por ter nascido nesta região conhece bem os complexos problemas que geram tensão entre árabes e judeus e que despontaram em várias guerras no século XX. Inclusive, foi depois da ‘guerra dos seis dias’ em 1967, que seu pai decidiu migrar para o Canadá com toda a família. 

O livro mostra que os árabes afirmam serem descendentes de Abraão, através de seu filho Ismael. Com o tempo, os descendentes de Ismael se dividiram em numerosas tribos e povoaram a região da Arábia e parte do que hoje é o leste da Jordânia, muitos deles se tornaram prósperos mercadores e construíram cidades importantes. A narrativa esclarece que essas tribos árabes eram politeístas, ou seja, adoravam diversos deuses diferentes, porém, tudo mudou com o advento do islamismo por volta do ano 610 d.c. A religião, iniciada por Maomé, conseguiu unir as tribos do deserto e rapidamente se expandiu pelo oriente conquistando diversos países.

Nos capítulos seguintes, são descritos os conflitos mais modernos entre os dois povos, desde o crescimento do movimento sionista que culminou com a criação do Estado de Israel até a criação da OLP (Organização para a libertação da palestina), passando pelo acordo de Camp David e pela guerra do Yom Kippur. Esses relatos históricos ocupam mais da metade do livro e aqui encontro um ponto negativo... Benny Hinn parece ser meio pretensioso quando descreve a relação dele com líderes mundiais e autoridades do Oriente Médio, como o falecido rei Hussein da Jordânia e o primeiro ministro de Israel Benjamin Netanyahu. No entanto, não é nada que comprometa a obra.

Um dos trechos mais interessantes, na minha opinião, é o comentário sobre a parábola da figueira (Mateus 24:32), árvore que até hoje é um dos símbolos da nação de Israel. Segundo a interpretação dispensacionalista mais comum, a expressão “não passará esta geração sem que tudo isso aconteça”, mostra, sem revelar dias e horas, exatamente a época da volta de Cristo. Tendo em mente que uma geração bíblica dura cerca de 100 anos, é preciso identificar quando os brotos da figueira (Israel) começaram a crescer. Seria uma referência ao ano da restauração do Estado israelense em 1948? Não podemos afirmar, mas se essa interpretação estiver correta, podemos esperar muitas coisas interessantes acontecendo no planeta Terra nos próximos 30 anos. Coisas como... O arrebatamento da Igreja, a invasão de Israel pelos lados do norte, a derrota dos inimigos de Israel, a ascensão do anticristo, a reconstrução do novo templo, etc. Porém, se esta interpretação estiver errada será abandonada até 2048.

Por fim, gostei muito da forma como o livro termina, com um apelo evangelístico ao leitor, convidando para o arrependimento todos aqueles que nunca tomaram uma decisão de seguir a Jesus Cristo. Termino dizendo que essa é uma boa leitura para leigos em escatologia bíblica, pois conhecer a história dessa região ajuda muito para uma boa interpretação dos textos proféticos.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A vitória de Trump e a fúria dos globalistas

Ontem o republicano Donald Trump venceu as eleições americanas ao conquistar pelo menos 290 votos no colégio eleitoral; bem mais do que os 270 votos que seriam necessários. O resultado ficou conhecido às 5h32m (horário de Brasília) desta quarta-feira e deixou praticamente toda a imprensa internacional perplexa. E não é para menos... Durante longos meses essa mesma mídia realizou um ataque maciço ao republicano, tão pesado que se estima que 95% das notícias sobre Trump foram de cunho negativo; era como se uma lente de aumento fosse colocada em qualquer pequeno deslize que o candidato cometesse. 

Todos os dias “especialistas” eram entrevistados nos canais de notícias sempre projetando a possível vitória de Hillary Clinton e desprestigiando Trump, usando os mais absurdos argumentos. O mesmo aconteceu com os institutos de pesquisa, que davam como certa a vitória da democrata. No entanto, toda essa mobilização e todos os discursos utópicos e esquerdistas de Hillary acabaram por cair diante de uma realidade: Obama ferrou com o país e era preciso consertar os erros. Então, apesar da tentativa, desta vez o povo americano não foi ludibriado e o resultado final deixou a imprensa, inclusive a brasileira, desolada se perguntando “o que aconteceu”?

Não sei se Donald Trump será um bom presidente e não sei ao certo qual será a sua política externa na área econômica, mas a questão aqui não é essa. As perguntas que faço são outras: Por que a mídia o atacou com tanta fúria? Será que foi mesmo pelas declarações polêmicas? E por que a maioria dos jornalistas fazem vistas grossas para as declarações belicistas e antirreligiosas de Hillary? Ou quase nada falam dos e-mails que ela trocava usando um servidor privado, enquanto ainda era secretária de Estado? O mundo é um lugar complicado, mas as respostas para essas perguntas são relativamente simples.

A verdade é que Trump, mesmo não sendo o melhor candidato conservador, representa valores que são simplesmente abomináveis para os defensores da Nova Ordem Mundial, como o patriotismo por exemplo. Não apenas isso, ele também defende o porte de armas para o cidadão comum e é uma figura antagônica à praga do politicamente correto que se espalhou pelo mundo. No campo econômico, o republicano inclusive já sinalizou que vai rever acordos comerciais que favorecem o globalismo, mas que são desvantajosos para os EUA. Ou seja, tudo indica que os planos para a formação de um governo único mundial serão, pelo menos temporariamente, freados, pois a influência dessa nação ainda é muito forte no cenário geopolítico. Também posso estar errado, isso vai depender da força e da habilidade do novo presidente americano em quebrar o stablishment esquerdista global que é poderosíssimo. E vale lembrar que essa gente nunca desiste! Por enquanto, tudo o que sabemos é que desta vez não deu para a fundação George Soros e para os Bilderbergs e companhia. Algumas coisas estão para mudar no mundo.

Desde já peço desculpas se algum leitor não está acostumado a termos como ‘Nova Ordem Mundial”, “globalismo”, “Bilderberg”, etc... Ou que não entende a relação dessas forças com a eleição americana. Assim que possível postarei outro texto explicando esses conceitos que são fundamentais para entendermos melhor a complexa realidade geopolítica contemporânea. Tem muito mais coisas em jogo do que a simples política interna americana.
Fiquem com Deus.
Foto: huffingtonpost




quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O mundo está perto de uma terceira guerra mundial?

Esse é um assunto que tem sido estranhamente negligenciado pela imprensa tradicional, especialmente a brasileira, mas é alvo de ampla repercussão e debate nas mídias alternativas. Estamos realmente perto de outro conflito global ou tudo não passa de um jogo de cena entre as grandes potências?

Tudo indica que o perigo é mesmo real, infelizmente. As tensões entre EUA e Rússia tem aumentado e o principal ponto de atrito é a questão da Síria. De um lado temos os russos tentando salvar o regime atual do presidente Bashar Al Assad visando, é claro, seus próprios interesses na região; do outro lado temos os americanos financiando e armando rebeldes sírios que tentam derrubar Al Assad. Em meio a isso surge o Estado Islâmico, um grupo terrorista que não é amigo de ninguém e que tomou vastas áreas da Síria e do Iraque, matando milhares de pessoas e aterrorizando o mundo com atentados por toda a parte. Agora, com o pretexto de combater o Estado Islâmico, Rússia e Estados Unidos marcam presença militar na região. 

A situação pode piorar dependo de quem vencer as eleições americanas. Donald Trump, o megaempresário dono de vários empreendimentos, tem interesse em manter a paz com a Rússia, em parte devido aos seus próprios interesses comerciais no país. A outra candidata, a democrata Hillary Clinton, é anti-russia, e já encantou muitos americanos com seu falso discurso de tolerância e união entre os povos. Porém, a verdade é que Hillary é uma mulher antirreligiosa e belicosa. Não será bom para a paz mundial, nem para a cultura ocidental se ela vencer.

De qualquer forma, o aumento das hostilidades já está em curso... Na semana passada, uma flotilha de guerra liderada pelo porta-aviões Admiral Kuznetsov partiu em direção ao mar Mediterrâneo, com o provável intuito de chegar a costa da Síria (No momento, a frota já passou o estreito de Gibraltar e entrou no Mediterrâneo). Maciços bombardeios realizados pela aviação russa estão ocorrendo na cidade de Aleppo na intenção de libertar a cidade das mãos do E.I; Moscou está enviando mísseis nucleares para perto das fronteiras europeias, e até mesmo as TV’s da Rússia já tratam a guerra com o ocidente como uma possibilidade real.

Diante de todos esses fatos que estão se desenrolando no cenário mundial, a chance de um conflito bélico em larga escala não pode ser descartada. Mas talvez a terceira guerra mundial não aconteça, pelo menos não agora, pois a Europa é compradora de grande parte da produção de gás natural da Rússia. Não teria muito sentido os russos bombardearem seus principais clientes.

Mesmo assim há algo estranho acontecendo no mundo. Não é um simples conflito entre dois países. São os membros da OTAN, encabeçados pelos Estados Unidos e representando o globalismo ocidental contra a Rússia e seus principais aliados Irã e China representando o Eurasianismo. Dois sistemas mundanos e malignos que tentam obter a hegemonia global, não há para quem “torcer”. 

Não custa nada nós, meros espectadores, nos prepararmos para o pior. É tempo de sair das dívidas, estocar provisões para o caso de um colapso econômico e ter um plano de evacuação para você e sua família... Continuaremos acompanhando os acontecimentos atentamente. E confiando em Deus!

sábado, 22 de outubro de 2016

Navios de guerra russos atravessam Canal da Mancha em direção ao mar Mediterrâneo

A flotilha de navios de guerra russos encabeçada pelo porta-aviões Admiral Kuznetsov atravessou o Canal da mancha nesta sexta-feira (21) em direção ao mar Mediterrâneo. A pequena frota, composta por oito navios, foi acompanhada de perto por caças britânicos do tipo Tornado, segundo informações do jornal TheTimes.

Os aviões da Royal Air Force (Força aérea britânica) sobrevoaram a baixa altitude o grupo naval, pertencente à Frota do Norte russa, com a intenção de mostrar sua presença na área. Os pilotos britânicos também tiraram várias fotografias e gravaram um vídeo para "examinar o que há nos navios", segundo informaram fontes do Ministério da Defesa do Reino Unido à edição The Times.

O governo russo alega que o objetivo da campanha em águas mediterrâneas e a repressão às ações de pirataria e terrorismo que ameaçam a segurança da navegação da Federação Russa na região. Porém, esse ato está sendo visto com muita apreensão pelo Ocidente. A OTAN acredita que o Kremlim está na verdade deslocando a Frota Norte para a Síria, afim de ajudar o presidente Bashar Al Assad contra as forças rebeldes que tentam tomar o poder. Desta forma a Rússia mantém sua influência na região. Os Estados Unidos, no entanto, querem a queda do regime atual.
As hostilidades entre os dois países têm aumentado tanto que muitos já falam até em uma terceira guerra mundial.

PS: Segundo o canal CasandoOVerbo, a frota russa estará passando entre sábado e segunda-feira (dias 22 a 24) pelo litoral de Portugal, ou seja, ainda não cruzou o estreito de Gibraltar.


Fontes: SputnikNews
             The Times

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Livro: Contra a Idolatria do Estado (resenha)

Sabemos que, infelizmente, as trevas da ignorância política envolvem grande parte da sociedade brasileira. É duro admitir, mas a verdade é que esse analfabetismo político atinge também os cristãos e as vezes de maneira até mais devastadora; graças a omissão de alguns líderes. Apesar dos ensinamentos bíblicos sobre política serem bastante claros, as confusões e as ideias errôneas ainda imperam. Um melhor esclarecimento sobre o assunto se faz necessário. E é nesse contexto um tanto sombrio que surgiu o livro “Contra a idolatria do Estado”, do teólogo Franklin Ferreira.

Lançado pela editora Vida Nova no início desse ano, essa obra funciona como uma luz bem-vinda em um cenário tão caótico; o livro é endossado inclusive por nomes conhecidos no conservadorismo brasileiro como o filósofo Luiz Felipe Pondé, O pastor e escritor Geremias Couto e a jornalista Rachel Sheherazade entre outros. O livro trata do papel do cristão na política, mas pode ser útil a qualquer um que queira entender melhor a relação entre o Estado e o cidadão e quais são as funções e os limites de cada um. 

O primeiro capítulo traz o contexto histórico do livro de Ester, esclarecendo ao leitor fatos importantes sobre o reinado do famoso rei Xerxes (Sim, o mesmo do filme “300”), marido de rainha Ester e a posição que a rainha tomou, juntamente com seu primo Mardoqueu para salvar o povo judeu do completo extermínio. O livro de Ester é conhecido por não mencionar o nome de Deus nem uma vez. A lição observada por Franklin Ferreira é que o cristão precisa estar preparado para defender suas ideias sem fazer referência direta a sua fé, dentro de um jogo conceitual usando termos da filosofia e do comportamento humano. Isso é útil, já que invariavelmente os inimigos do cristianismo usam a alegação de que “o estado é laico” para atacar nossos valores.

Em seguida, o livro trata da relação do apostolo Paulo com as autoridades governamentais do Império romano, mostrada em Romanos 13. Essa passagem bíblica vem sendo mal interpretada há séculos, sendo usada por muitos cristãos para justificar a omissão diante de governos corruptos, com o argumento de que estariam “se levantando contra autoridade constituída por Deus”. Porém, o autor mostra, através de uma clara explanação, que o papel do Estado não é igualar as pessoas (uma impossibilidade histórica), e sim proteger e recompensar os bons e punir os maus. É no exercício desta função que o Estado e reconhecido como ministro de Deus. Ainda neste mesmo capítulo é feita uma importante distinção entre Igreja e governo/Estado. Sabemos que a mensagem do Evangelho tem implicações em todas as esferas de atuação humana, inclusive na política. No entanto, Igreja e Estado possuem papéis diferentes, estabelecidos por Deus. Como já vimos: A autoridade secular recompensa e pune, a Igreja anuncia a redenção. Um fato interessante: Na época que o apóstolo Paulo escreveu a carta aos romanos, a Igreja era considerada subversiva, não por conta da adoração a Jesus Cristo; mas porque se recusava a prestar a mesma adoração ao Estado na pessoa do imperador divinizado.

A segunda seção do livro, intitulada “questões conceituais” é de extrema importância, porque trata abertamente sobre modelos políticos e esclarece um pouco mais sobre o espectro ideológico dos partidos brasileiros. Muitos não sabem, mas atualmente não existe nenhum partido que represente uma direita orgânica no Brasil (com exceção do Partido Novo, recém-criado). São considerados partidos de extrema esquerda e de esquerda: PCB; PCdoB; PSOL; PSTU e PT. Os partidos de centro-esquerda são: PDT; PPS; PSB; PSDB; PTB; PV e SDD. No centro estão: PMDB; PP e PSD. Os únicos representantes do centro-direita são o DEM e o PSC. (Há controvérsias quanto a este último).

Ferreira explica que a mentalidade esquerdista é binária, ou seja, só consegue enxergar direita e esquerda. Desta forma, um esquerdista tem dificuldades de localizar o libertarianismo, sua variante o anarcocapitalismo ou os regimes militares autoritários dentro do debate ideológico. Aliás, um dos principais objetivos da esquerda é obliterar totalmente a própria direita do espectro político, através da tomada de espaços em diversos setores da sociedade e marginalizando qualquer movimento genuinamente conservador, rotulando-os de “fascista”, “elitista”, “opressor”, etc.  Desta forma o debate político fica restrito a extrema-esquerda, esquerda e ao centro-esquerda. É isso que tem acontecido no Brasil com a polarização PT e PSDB nos últimos anos. O filósofo Olavo de Carvalho chama essa tática de “estratégia das tesouras”, termo popularizado em vários de seus artigos.

Aqui faço uma observação que considero essencial. A tomada de setores da sociedade como a imprensa, as igrejas, as escolas, as universidades, o judiciário, e a própria interferência na cultura por parte da esquerda, faz parte da chamada guerra cultural. O objetivo final é a destruição dos valores conservadores judaico-cristãos arraigados na sociedade, o que levará, sem sombra de dúvidas, a um governo totalitário de cunho ateísta. Por essa razão é tão importante que o verdadeiro cristão não se deixe enganar por promessas populistas. É preciso excluir TODOS os partidos de esquerda de ideias trotskistas/leninistas de nossa lista de opção de votos!

Seguindo a análise... esse mesmo capitulo desmistifica a ideia, muito difundida no Brasil, de que o nazismo foi um regime de direita. As características totalitárias do nacional-socialismo alemão se encaixam claramente dentro do conceito político de socialismo. Vale lembrar o que a história nos mostra: Hitler e Stalin chegaram a acordar um pacto de não-agressão e quase se aliaram antes do início da guerra, mas as aspirações de Hitler levaram os dois regimes totalitários para lados opostos do conflito. Os líderes do partido nacional-socialista-alemão viam-se como os legítimos socialistas, desprezando a aristocracia, o livre-mercado, o capitalismo e a democracia liberal. Chegaram a abolir a liberdade de imprensa, praticando censura e apregoando uma teoria política com suposta fundamentação científica. Como um movimento assim pode ser classificado como “direita”?

Na seção seguinte, o livro aborda o episódio que ficou historicamente conhecido como “Disputa pela igreja” (1933-1937), no qual o nazismo tentou assumir o controle da igreja protestante alemã através de uma reinterpretação da fé cristã, chamada de “cristianismo positivo”. De forma resumida, mas com uma grande riqueza de detalhes, o autor relata o esforço de homens valorosos como Karl Barth e Dietrich Bonhoeffer entre outros para proteger a igreja evangélica alemã das intenções de Adolf Hitler. Uma resistência política e teológica ao mesmo tempo, e que resultou no exílio de Barth e na morte de Bonhoeffer, enforcado por ordem direta de Hitler em 09 de abril de 1945.

O capitulo 6 trata da relação entre Igreja e Estado na perspectiva reformada, não sem antes comparar essa perspectiva com outros dois modelos existentes: A noção dos “dois reinos” e o dispensacionalismo pré-milenista. O primeiro de tradição luterana, o segundo muito popular e amplamente difundido nas igrejas pentecostais e carismáticas no início do século XX até hoje. É em cima deste último modelo que Ferreira faz uma crítica mais enfática, ao avaliar que os adeptos do dispensacionalismo classificam o mundo como “caso perdido”. Uma conclusão injusta e equivocada do autor a meu ver. Embora admita que a má interpretação deste modelo, de fato, levou muitas denominações a se alienarem do universo secular, especialmente da política. Mas, entendo que a tônica na evangelização do mundo não quer dizer necessariamente que o dispensacionalista deva ter uma visão pessimista do futuro.

A quarta parte do livro, intitulada ‘Aplicações Práticas’, começa expondo o trágico cenário brasileiro na área da segurança pública; mostrando como a violência tem aumentado vertiginosamente nos últimos anos. O autor desmascara os argumentos esquerdistas usados para defender os bandidos, normalmente tirando destes a responsabilidade pessoal e colocando a culpa na própria sociedade. Segundo Franklin Ferreira, é importante reverter a ideologização do debate se quisermos obter sucesso no combate a violência, em parte fomentada pelo próprio discurso esquerdista. Também destaca o papel que a Igreja deve desempenhar nesta questão e sugere como guia o conceito de “soberania das esferas”, desenvolvido por Abraham Kuyper. As últimas seções do livro trazem uma agenda (dicas valiosas) para o voto consciente e a declaração teológica de Barmen.

Conclusão.
Este livro pode ser uma ferramenta valiosa, não apenas para os cristãos, mas para qualquer cidadão de bem que queira entender um pouco mais sobre política e como se posicionar de forma consciente. Afinal, todo o cuidado é pouco para não sermos enganados pelo complexo sistema partidário brasileiro. A obra traz muitas notas de rodapé e uma vasta bibliografia que deixará o leitor a vontade para continuar os estudos sobre o tema. Recomendo... Boa leitura!

Template - Dicas para Blogs