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sábado, 21 de novembro de 2015

Resenha: Defendendo sua fé – uma introdução à apologética

Vivemos em uma época em que o ambiente acadêmico tem se tornado cada vez mais hostil para aqueles que professam a fé cristã. A influência ateu-humanista, especialmente nas universidades e nas escolas públicas, tem iludido milhares de alunos todos os anos, fazendo-os pensar que nossas crenças são ingênuas e incultas. Tragicamente muitos jovens cristãos, por não receberem um ensino apologético adequado em suas comunidades, acabam se intimidando com essa pressão e silenciam, ou pior... Terminam por apostatar da fé para dar crédito a mentiras. Diante desta realidade, o estudo da apologética se mostra extremamente importante, inclusive como arma evangelística, pois muitas pessoas são simpáticas ao cristianismo, mas acham que fé e razão são antagônicas.

O livro “Defendendo sua fé – uma introdução à apologética” do professor R.C Sproul é uma ferramenta preciosa para todos que desejarem adquirir bons argumentos para defender sua fé e não ser humilhado, nem desacreditado por pseudo-intelectuais. A linguagem usada no livro é bem clara, simples de entender e ao mesmo tempo profunda, abordando dois temas essenciais: A existência de Deus e a autoridade da Bíblia.

O Dr. Sproul apresenta os quatro princípios fundamentais da epistemologia, o estudo de como se obtém o conhecimento, e faz uma explanação detalhada de cada um deles, a saber: 1- A lei da não contradição; 2 – A lei da causalidade; 3 – A confiabilidade básica (embora não perfeita) na percepção dos sentidos e 4 – O uso analógico da linguagem.  Essas premissas são indispensáveis para o conhecimento científico sólido e, ao contrário do que muitos pensam, são sustentadas pela Bíblia. O autor mostra, logo de início, como os mais famosos pensadores ateus, em seus argumentos contra o teísmo, acabam negando um ou mais desses princípios. Porém, um bom apologista cristão jamais deve abrir mão desses quatro pontos ao realizar sua defesa da fé, caso contrário certamente fracassará em um embate intelectual. Assim, durante cinco capítulos são abordados temas importantes como relativismo existencial; contradição x paradoxo; causalidade e positivismo lógico, citando o trabalho de importantes filósofos como Immanuel Kant e Hume.

O capitulo nove trata da relação entre a teologia natural e a ciência mostrando a importância do trabalho de Tomás de Aquino sobre o tema. Para nível de esclarecimento, a “teologia natural” discute como obter informações sobre Deus por meio da natureza. Outro tópico importante neste capítulo fala da ascensão do averroísmo, ou seja, a ideia de que uma premissa pode ser verdadeira em filosofia e falsa em teologia ao mesmo tempo (ou vice-versa). Essa linha de pensamento se espalhou rapidamente pelas universidades europeias do século XIII e ainda persiste em nossos dias. Apesar de popular, o averroísmo quebra pelo menos um dos princípios fundamentais mostrados anteriormente, a lei da não-contradição, e, portanto, deve ser refutado.

Temos também um estudo sobre a existência de Deus baseada nas quatro possibilidades básicas para explicar a realidade que nos cerca. Se uma das possibilidades é verdadeira as outras devem ser falsas. A primeira explicação possível sobre a realidade diz que nossas experiências são uma ilusão; a segunda é que a realidade foi auto-criada; a terceira é que é auto-existente (sempre existiu) e a quarta sustenta que o universo é criado por “algo” auto-existente. Não preciso dizer que a primeira possibilidade é desmanchada facilmente pelo filósofo René Descartes, pai do racionalismo moderno. Na segunda, existe uma impossibilidade lógica, logo o autor gasta pouco tempo com ela e dedica um tempo maior de estudo às últimas duas opções. Mas, resumindo, mostra basicamente que “se algo existe, então Deus existe”. O autor também desmistifica de forma espetacular o niilismo de Nietzche e a psicologia ateísta de Sigmund Freud.

Na parte VI e última parte do livro, Sproul defende a autoridade da Bíblia como palavra de Deus, mostrando toda sua coerência e simetria. A Bíblia é basicamente um documento histórico confiável e os achados arqueológicos confirmam constantemente a confiabilidade histórica das escrituras. Ainda nesta questão, o autor faz uma apologia à integridade do ensino de Jesus e do testemunho do Espírito Santo.

Enfim, apesar de ser apenas uma obra de introdução à apologética, esse livro cumpre a proposta do autor e pode ajudar bastante aos cristãos que desejam defender sua fé de maneira convincente e lógica contra um mundo cada vez mais arrogante e tolo. Sabemos que novos sistemas de pensamento sempre irão surgir para nos confrontar, mas não precisamos temer; pois, se a Palavra de Deus for verdadeira – e é – Ela sempre irá prevalecer. Filosofias alternativas vem e vão, mas o cristianismo ortodoxo sempre permanece.

No mais, que possamos seguir o conselho do apóstolo Pedro:
"Antes, santifiquem Cristo como Senhor no coração. Estejam sempre preparados para responder, com mansidão e temor, a qualquer um que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês."

(1 Pedro 3:15)

1 comentários:

Cassiani disse...

Agradeço por ter feito a resenha, não conheço muitos livros do tipo, ainda, mas vou começar a procurar :)

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