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sábado, 2 de maio de 2015

Mc Brinquedo, Mc Melody e a expansão do lixo cultural

Escrever um artigo só para falar que o estilo de funk brasileiro conhecido como “proibidão” é um lixo, seria como chover no molhado; qualquer pessoa com o mínimo de bom senso sabe disso. Mas, parece que aquela mania nacional de dizer que o feio é bonito não conhece limites.
Não bastava a pobreza musical (técnica) inerente a este gênero; não bastava as letras machistas e nojentas que reduzem a mulher a um mero objeto de consumo masculino, além de fazerem apologia ao uso de drogas e a violência. Agora temos tudo isso multiplicado e cantado por crianças!

Há alguns anos, eu ingenuamente cheguei a pensar que nada pior que o grupo ‘Os havaianos’ poderia surgir, mas eu estava errado. Recentemente, uma onda de crianças surgiu na internet proferindo todo tipo de palavrões e promiscuidades em videoclipes gravados por produtoras profissionais. Esses funkeiros-mirins, na faixa dos 12 ou 13 anos, não estão apenas no Youtube, alguns inclusive marcam presença em bailes funk, ambientes proibidos para menores de idade (pelo menos na teoria). Não há dúvida que esse comportamento causa um impacto bastante negativo no desenvolvimento desses jovens. Mas, pais espertalhões como o da menina conhecida como Mc Melody, de apenas 8 anos, não tem o menor escrúpulo em expor a filha para uma plateia de marmanjos em troca de fama e dinheiro. O imbecil ainda se fez de coitadinho ao dizer que está sendo vítima de “preconceito contra o funk” e defendeu sua postura; mas voltou atrás após ver a reação indignada de milhares de internautas e a abertura de inquérito por parte do Ministério Público. Por pouco não perdeu a guarda da filha sob suspeita de “violação ao direito, ao respeito e à dignidade de crianças/adolescentes”. Essas alegações deveriam servir para indiciar também os pais dos meninos Mc Pedrinho, Mc Brinquedo e Mc Pikachu entre outros, bem como os responsáveis pelas produtoras. Aliás, nota-se inclusive um certo sexismo quando vemos que muitos se indignaram ao ver uma menininha sendo exposta a estes ambientes, mas se calam quando o mesmo ocorre com os meninos. Não se trata de uma guerra dos sexos, TODOS são crianças e não deveriam estar sendo expostos desta maneira.


Tratemos agora de outra questão: O que eles estão cantando está muito longe de ser cultura, é puro lixo.
Neste momento, sempre vai existir aqueles que dizem “Ah... mas funk é cultura, tu só diz isso porque não gosta do ritmo, blá blá blá...”. Não meus caros, funk não é cultura pelo simples motivo de que esse subproduto musical não acrescenta nada, nada mesmo de bom para a sociedade. É apenas um ritmo primitivo (um neandertal faria melhor) recheado com letras simplórias, que incentivam uma sexualidade prematura, o uso das drogas e a exaltação da violência. Na verdade, como sou músico amador, tenho até dificuldade de classificar essa manifestação sonora de “música”, pois harmonia e melodia são elementos desconexos ou praticamente inexistentes neste estilo. Não tem nada a ver com elitismo, não precisa ser erudito ou professor para perceber a baixa qualidade artística destas produções.

Fico indignado mesmo com o rumo que a cultura no Brasil está tomando, pois sei que podemos fazer melhor. O Brasil é um país lindo, pujante e cheio de culturas regionais riquíssimas. Esse solo já produziu gênios da música clássica como Heitor Villa Lobos e Carlos Gomes, também já produziu gênios de música mais popular como Tom Jobim, Pixinguinha e Raul Seixas entre tantos outros. Da nossa cultura musical saiu a bossa-nova e o samba, gêneros mundialmente apreciados. Isso sem falar da música regional gauchesca, nordestina e dos exóticos ritmos do norte do país. Em outras palavras, temos potencial para produzir alta cultura na música! Coisas que não serão esquecidas e nem substituídas pelo próximo sucesso.

Esse empobrecimento cultural está sendo financeiramente incentivado pelo governo? Com que interesse? Bom, não vou nem entrar nessa questão. Mas há indícios claros que o consumo deste lixo cultural afeta as estruturas mentais dos ouvintes causando alienação (não estou brincando!). Espero que algum dia, alguma alma acadêmica caridosa faça um estudo mais profundo sobre isso. 

Como disse no início do artigo, o brasileiro tem a péssima mania de dizer que o bonito é feio e o feio é bonito. Por exemplo: Ser honesto é ser trouxa; ser virgem é motivo de vergonha; favelas são bonitinhas; gostar de música clássica é ser esnobe; em alguns casos até mesmo os jovens que gostam de estudar acabam sendo hostilizados. Ou seja, uma legítima inversão de valores. Tudo isso é fruto da praga do politicamente correto da qual falarei em outra oportunidade.

Por enquanto, fica a dica para o leitor: Não se deixe levar por essa onda de funkeiros mirins, não contribua para destruir ainda mais nossa cultura, tão atacada nos últimos 50 anos, nem para o holocausto da infância de muitos jovens. Procure entretenimentos saudáveis e de qualidade. Acredite, eles ainda existem.

No vídeo abaixo, apenas um exemplo de como a bossa nova (ritmo nascido no Brasil) é mundialmente reconhecido e apreciado...

3 comentários:

Ezequiel Domingues dos Santos disse...

Em que estado a moral brasileira se encontra...

Anônimo disse...

"Fico indignado mesmo com o rumo que a cultura no Brasil está tomando, pois sei que podemos fazer melhor. O Brasil é um país lindo, pujante e cheio de culturas regionais riquíssimas. Esse solo já produziu gênios da música clássica como Heitor Villa Lobos". Aí que tá, a música famosa do Mc Brinquedo,que você esculacha no texto, é na verdade a primeira frase da Bachiana nº4 de Villa Lobos. Parece mentira, mas confere lá.
Quando uma cultura vai em direção contrária a que te agrada, isso não faz dela um lixo.

O KOIOTE disse...

Comparar uma bachiana de Villa Lobos com o lixo sonoro produzido pelo Mc Brinquedo.. PUTA QUE PARIU hein?!?!

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