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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O movimento dos crentes sem-igreja

Um curioso e recente fenômeno social e religioso tem crescido silenciosamente no Brasil. Trata-se do “movimento dos crentes sem igreja”. Um movimento descentralizado, sem lideres, mas que tem aumentado consideravelmente; são pessoas que aceitaram a Jesus como seu salvador pessoal, oram, lêem a Bíblia e até evangelizam, mas não pertencem a nenhuma denominação evangélica organizada. Algo até então inusitado pra mim. Se fosse em outros tempos em que eu era, digamos, mais ‘beato’ teria simplesmente afirmado que isso é coisa do demônio e fim de papo; Afinal: “- Onde já se viu praticar essa rebeldia e se dizer cristão?”.
Porém hoje eu penso diferente, devemos aprender a refletir e entender melhor a fé.
Então, acredito que a primeira coisa a ser analisada é o motivo pelo qual esse movimento tem crescido tanto (e de forma tão evidente que rendeu até uma reportagem de capa de revista Época de agosto de 2010). O que será que tem levado tantas pessoas a abandonarem o modo tradicional de congregar? Será que são as formas litúrgicas que estão ultrapassadas?


Não, não creio nisto. Acho que as causas são bem mais profundas do que pensamos.
E tem haver com a forma como a ig
reja tem agido com as ovelhas de Cristo. Se perguntarmos para algumas dessas pessoas o porquê delas não estarem mais congregando veremos que, boa parte das respostas serão bem semelhantes e normalmente estão relacionadas à forma abusiva como os líderes eclesiásticos têm tratado seus membros, muitas vezes usando de manipulação, domínio, coação e terrorismo psicológico para manter o povo em suas mãos. Em tais lugares é praticamente impossível fazer qualquer tipo de questionamento, mesmo quando a implantação das normas exigidas pela denominação não tem apoio bíblico, se o fizer, estará correndo o risco de ser acusado de “se levantar contra o ungido” e poderá sofrer retaliações, perseguições e, em alguns casos mais extremos até a excomunhão.
Estes líderes parecem não saber a diferença entre chefiar uma empresa e pastorear um rebanho, não querem entender que foram chamados para servir e não para mandar nas pessoas. E este equívoco tem magoado muita gente que já se sentiu humilhada e manipulada pela igreja. Há também os membros que se entristeceram porque enquanto passavam tribulações e tentações, nunca receberam uma visita pastoral para ajudá-los. Essa é uma falta que eu particularmente considero grave, são muitas as ovelhas que estão seriamente feridas devido ao descaso dos bispos e pastores.
E onde fica o amor de Deus nisto tudo?!


O movimento dos crentes sem-igreja foi criado por cristãos sinceros que odeiam a teologia da prosperidade, não suportam o sectarismo dos evangélicos, não se conformam com a forma distorcida como as igrejas tratam a questão dos dízimos e ofertas e se irritam com os absurdos teológicos ensinados por diversas lideranças da igreja brasileira. Então esse movimento não deixa de ser na verdade, uma reação a crescente apostasia de nossos dias, mas é claro que ele não é perfeito, e está longe de ser! Há alguns problemas nesta nova forma de ser igreja.
Por exemplo, como é praticada a koynonia, isto é, a comunhão saudável entre os irmãos da fé? Afinal, a Bíblia é clara quando diz que não devemos deixar de congregarmos (Hb 10:25), de nos reunirmos como família para juntos adorarmos a Deus, exortar, admoestar, encorajar e consolar uns aos outros. Logo, ao nos separarmos do ‘corpo’, nossa sensação de liberdade pode em pouco tempo ser substituída por um desagradável sentimento de solidão e tristeza. O ser humano é um ser feito para viver em sociedade, e a congregação dos santos é o circulo social do cristão; Deixar de viver em comunhão com os irmãos seria correr um risco muito grande de esfriamento espiritual.
Com certeza o verdadeiro discípulo jamais buscará entre os ímpios e nos bares da vida um lugar para aliviar a angústia e o isolamento.


Outra coisa que precisa ser levada em consideração é a questão dos templos físicos. Alguns adeptos do movimento são tão radicais que dispensam totalmente o uso dos templos convencionais argumentando que a igreja primitiva se reunia ao ar livre e nas casas. Está certo, mas isso não quer dizer que Deus rejeitou a idéia da construção de templos, Ele mesmo ordenou a construção do tabernáculo no deserto, um local de adoração para o povo se reunir e para que Ele manifestasse sua presença. Acredito então que, deste que não sacralizemos os templos, eles são uma forma prática de reunir um número mais de pessoas em um mesmo lugar, não é uma associação com o paganismo como dizem alguns. Até porque, a igreja não é o templo, NÓS somos a igreja!

Então qual é o problema com as denominações contemporâneas? Na verdade são vários! Mas o que mais têm afetado o Brasil é a pregação da teologia da prosperidade, que tem enganado milhões de pessoas e o bairrismo denominacional, ou seja, aquela história que alguns babacas têm de achar que só a ‘Assembléia de Deus’ pode salvar, ou que só o ‘Brasil para Cristo’ tem a doutrina correta, em fim, é uma lamentável falta de visão global. Mas apesar das mazelas que a igreja adquiriu ao longo dos anos, não devemos desanimar! Jesus mesmo disse que o trigo e o joio iriam continuar crescendo juntos até o dia da colheita. É a palavra do Senhor e a nossa consciência que devem nortear nossa caminhada, independente do estatuto de qualquer organização religiosa. Jesus Cristo é o Senhor da igreja. Deus abençoe a todos!

Mais sobre o assunto:
http://www.youtube.com/watch?v=VagcEcuBbmc

http://www.youtube.com/watch?v=TWaoRgN7Wbs&feature=related

6 comentários:

Anônimo disse...

oq faço,é realmente isso,nao pertenço a uma igreja,vou em varias e me reuno semanalmente com um grupo para lermos e discutirmos a biblia

ERS disse...

Amei essa matéria.
Faço parte desse movimento.. rsrs
Prefiro estudo em grupos em casa, aprendo mais!
Evangelho puro e simples!

Anônimo disse...

Acho que esse movimento é simplesmente modismo, ou seria melhor classificado como frustrações cristãs, olha reconheço que muitas denominações e igrejas precisam rever melhor os seus conceitos, mais isso não quer dizer que precisamos eliminar as igrejas (templos), o sentido da igreja (templo) não é de salvar pois sabemos que igreja não salva, mas o papel principal é praticarmos aquilo que o Senhor mais pregou a união, simplicidade, obediência, fé, cooperação e amor ao próximo. O que mais me pergunto com relação a essa onda é que como toda onda, passa e como ficarão essas pessoas que participam dessas reuniões? E que aprendem muitas das vezes a forma errada de interpretar aquilo que realmente a biblia nos ensina, "crentes" frustrados levando outras pessoas a se frustrar precocemente com o que chamamos de comunhão.

Gabriel Correia disse...

A muito tempo me considero um cristão sem igreja e fico feliz de ouvir falar deste movimento. As igrejas as vezes tem muito do homem
e pouco de Deus.

Anônimo disse...

O surgimento de mais uma seita e heresia. Sinais do fim dos tempos. Sejamos firmes para não sermos levados como meninos a qualquer vento de doutrina. Cuidados cristãos! A igreja é falha mas não é abandonando a igreja que iremos resolver o problema. Essa é mais uma cilada do Satanás

Cassiani disse...

Ao observar as atitudes de líderes religiosos e de outras pessoas que seguem uma "placa" cegamente, entendo perfeitamente a ideia dos "desigrejados". Fica difícil participar de um grupo quando não podemos questionar e aprender com liberdade.Porém, ainda acho importante frequentar uma igreja, mas o aprendizado é fortificado mesmo é em casa, com muita leitura da Bíblia e oração.

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